sexta-feira, 21 de outubro de 2011


hoje,ao entrar no quarto inutilizado há tanto tempo
consegui perceber nos cinco sentidos a fragilidade e a efemeridade
dos momentos que vivemos juntos,ao longo dos anos.
móveis desmontados, colchões que, por tantas noites nos abrigou, hoje sao inúteis espumas apoiadas em paredes úmidas.
pedaços do meu passado, tão simbiótico ao seu, hoje são consumidos pelas traças que moram na tábua de passar roupas;
e essas mesmas traças corroem também o que vivemos nestes dias, meses e anos
onde o pão,a dor e a solidão eram divididos em noites felizes em frente a televisão.
planos mofados, sonhos esfarrapados pelo egoismo, pelo oceano de erros e pelos rios de imaturidade;
mas o quarto continua aqui, vivo...
o tempo amarela as paredes, os tecidos, embaça as lembranças e neutraliza a dor;
fecho a porta e isolo o quarto, deixando em seu interior os restos de uma história pseudo feliz...

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